quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Minha apologia

Por Manoel Soares
Coordenador Geral da CUFA RS

Vim aqui fazer uma apologia declarada, sei que alguns vão descer a lenha, mas me reservo ao direito de dizer o que as vezes só ouvimos de relance e fingimos que não exisite. Alguns alegam que no Brasil não tem pena de morte, total equívoco, milhares de jovens são enterrados todos os dias por conta de execuções sem julgamento, condenações de morte mais silenciosas e brutais que as p
raticadas no estados unidos ou em países orientais. 



Porém temos a prática da prisão perpétua também, pessoas que estão com suas penas vencidas, mas o judiciário não consegue dar conta dos processos. Presos que dependem da boa vontade de terceiros muitas vezes mofam nos fundos das celas, no fim das contas para contratar advogados que resolvam seus problemas precisam assumir compromissos com o crime ao sair, afinal alguém tem que pagar a conta. Mesmo dispostos a ressocialização precisam sanar o débito com facções, companheiros de celas ou traficantes, na maioria das vezes por não terem colocação profissional precisa pagar com o dinheiro vindo de tráfico, assalto, latrocínio ou pagar em serviços, acabam entrando num aspiral criminoso que é impossível sair. 



As vezes a família entra em cena e assume a dívida, tirando da mesa para evitar o pior, por mais que tentem recorrer a defensória pública, falta gargalo para tanto processo, no fim o ex-pesidiário chega na vida social cheio de marcas desse processo e até que consiga se adaptar novamente é devorado pela lógica predatória vigente. 



Escrevi isso não para advogar a favor de bandido ou fazer apologia ao crime, a verdadeira apologia ao crime está na panela vazia e no descaso social em que as famílias de presos estão. Minha apologia é em favor da consciência da molecada que acha que colocar um 22 na cinta na ponta do beco é vida, se liguem que depois que você passa para dentro do muro você é um numero de processo em uma pilha e há um grande risco de não poder ir nem no enterro de sua mãe que vai morrer de desgosto ao ver você vivendo tipo bicho. O sistema penitenciário vai demorar para mudar, o sistema judiciário mais ainda, sendo assim mude você, mude seu rumo senão sua cabeça vai ser estourada, seja por uma bola de pistola ou pela depressão e ser um sub-ser-humano. Minha apologia é pela vida.

PRÉVIAS

Por Frank Domingues
Administrador de Empresas.
Técnico em Radiologia Radiodiagnostica.


Mês de julho, já comentávamos que estava por vir as prévias eleitorais e junto as aberrações que, por incrível poder de hipnose, arrematam milhares de votos e conseqüentemente elegem-se. Falamos também que muitos eleitores utilizavam da desculpa de “voto de protesto” para apoiar tais blasfêmeros.

Entre um paciente e outro, o papo continuava. Falamos dos possíveis políticos que realmente tentarão consertar anos de corrupção, peculato e outras peripécias políticas. Em algumas horas consertamos o país e seus problemas e despachamos para os presídios os políticos desonestos. Ah, e também condenamos os eleitores protestantes os quais se dão o trabalho de ir aos colégios eleitorais para votar nos candidatos inusitados, e com tudo isso o turno de trabalho já era.

Mas como em período de copa mundial onde se respira futebol em ano eleitoral, para os politizados, se respira esperança de mudança. Mas para minha surpresa, ao chegar em casa vi o despreparo dos eleitores protestantes. Serei mais claro. Ao ligar a TV na minha residência, ao percorrer as largas opções de canais abertos brasileiros, parei no SBT, o qual estava a transmitir a posição e escolha do O Maior Brasileiro de todos os Tempos.

Inicialmente me motivei, vi nomes como Santos Dumont, Getulio Vargas, Princesa Isabel, mas sem demorar muito veio a decepção: Michel Teló, Tiririca, Ronaldinho Gaúcho e uma gama de jogadores, cantores, artistas e empresários que, em nada, nem de longe contribuíram para o Brasil. Continuei a assistir, esperançoso, até que o apresentador, Carlos Nascimento, foi à platéia coletar opiniões. Minha tristeza se concretizou, a entrevistada disse: meu candidato ainda não foi eleito, Luan Santana.

Por ai já comecei minha decepção como eleitor. Decepção ao saber que esse tipo de pessoa, possui habilitação para exercer o direito de voto, direito de cidadão. Lindo as propagandas de voto jovem, voto consciente e no fundo temos essa previa. Voto por ser bonito, voto por gratidão, ao qual o político cumpriu com o seu dever para com o povo, voto “protestante”. É lamentável que aqueles que pesquisam a vida dos candidatos para exercer o direito conscientemente tenham que, com a burrice eleitoral de muitos,  eleger Dirceus, Genuinos, Demostenes entre tantos outros como representantes do povo.

Espero que tantas propagandas de votos conscientes sejam eficazes para tocar na consciência de muitos para que não desperdicem a única chance de eleger alguém que esteja disposto a mudar, disposto a tentar acabar com a corrupção em vez de mamar na teta governamental. Tirar os velhos políticos que estão há vários mandatos eletivos sem cumprir seu dever.

Se tivéssemos a decência e coragem dos hermanos argentinos, de votar errado, perceber o erro e tirar do poder o político corrupto, como foi feito com o presidente anterior a Cristina, com certeza, os eleitos pelo povo pensariam meticulosamente antes de participar de mensalões.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Passe adiante

Por Manoel Soares
Publicado em Diário Gaúcho



Amigos, muitos de nós, favelados, estamos sendo chamados para ser candidatos ou participar de campanhas eleitorais. Apesar de alguns verem o fato como algo ruim, isso significa que agora temos peso. Em outros momentos, seríamos ignorados. Agora, tentam nos cooptar. Antes, fugiam da gente, ou seja, crescemos. Porém, é importante entender o que está em jogo.
Óbvio que a pessoa que se candidata ou se vincula publicamente a uma campanha deve entender o que está em jogo, entender como funciona, para fazer análises equilibradas dos cenários.
Basicamente, existem três razões pelas quais as pessoas se candidatam.
Primeiro: fortalecer seus projetos políticos pessoais ou coletivos. Começam como vereadores e, depois, crescem e alavancam um grupo.
Segundo: fortalecer correntes internas dos partidos. Assim, oxigenam e ampliam os quadros internos, e ganham força para decisões posteriores.
Terceiro: preencher legenda e reforçar as candidaturas majoritárias. São candidatos descartáveis, que atuam como cabos eleitorais com números.
Você precisa entender em que cenário você se enquadra antes de decidir. Outro fator importante é saber que para uma pessoa ser eleita precisa de duas coisas.

Primeiro: ter um nome forte, que seja sólido nos currais eleitorais, e que sobreviva ao processo eleitoral.

Segundo: uma campanha custa caro. Quem vai pagar tem interesses que precisam ser atendidos.

Acredito que você deva observar esses fatores e avaliar o que deve ser feito. A única pergunta que lhe faço é se você precisa disso. Óbvio que se os bons não se colocarem, os maus vão dominar. Mas a política não é feita de brigadeiro e mel. Ela é uma arena, na qual sonhadores são mastigados até virarem operadores reais de mudança. Alguns conseguem realizar seus objetivos, outros desistem e reclamam. E há os que só conseguem mudar a própria vida. Passe adiante.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

FAÇA A COISA A CERTA.

Por Frank Baldez Domingues

Ano de 2012, avançando alguns meses, estaremos em outubro, mês de eleição. Até sua chegada ainda temos tempo para ver caras novas, caras velhas, caras – de – pau e algumas “aberrações”. Nesse tempo, teremos de pensar e muito a qual daremos apoio e confiança. O primeiro e grande passo e abolir as aberrações com a desculpa de que: á não vai ganhar mesmo; ou então como voto de protesto.

Devemos analisar para fazer a coisa certa. Por alguém que lute pela causa da massa, cuja seja ilibada reputação e vida política, e que seja, no mínimo, incorrompível. Difícil de achar alguém que tenha minimamente essas características, mas quem sabe daremos sorte, mesmo que seja um rosto novo ou rosto jovem ou então alguém que já provara que tens essas qualidades.

Temos o dever de nos policiar, pois cada voto errado, um prego no nosso próprio caixão é encravado, selando assim, mais quatro anos de indignação, revolta, e voz calada, aumentando ainda mais a maior qualidade da maioria dos brasileiros. A PASSIVIDADE! E nesse esmorecimento em massa, que eles fazem a farra e aumentam impérios e benefícios próprios.

Somos obrigados a filtrar os salafras, pesquisando na internet aqueles cuja votaram contra os projetos que nos é favorável, como recentemente o piso do magistério. E para os que não acessam o mundo virtual, a musica de Tonho Croco (Gang da Matriz), já e uma boa fonte para bloquear alguns dos “ilibados políticos” que com certeza, irão aparecer como vereador ou prefeito em alguma cidade do interior ou cidade a qual são originários.

Importante não se deixar enganar por promessas incabíveis ou um botijão de gás ou uma pracinha de véspera eleitoral. Devemos nos opor e ter postura de pessoas honradas e agir com a dignidade que DEUS no deu.

Pensem nisso

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Manual das crias

Por Manoel Soares
publicado em Diário Gaúcho 04\11

Se quisermos colocar tudo no mesmo saco, podemos dizer que o ser humano parece adorar quebrar laços. Muitas vezes, sem saber e sem querer, rompemos o que temos de mais precioso por palavras não ou mal ditas. A juventude é especialista na arte de expressar suas vontades de forma agressiva e descontrolada. Lembro-me dos meus 17 anos, e minha mãe merece uma medalha, pois eu era asqueroso. Por sinal, minha mãe recomendou que, nesta semana, falássemos da falta de habilidade de muitos pais para lidar com as fases dos filhos.
Temos os moderninhos, que liberam demais, ou os que prendem tanto que, na hora em que a molecada se solta, sai fazendo tudo que lhe foi proibido.
A moral é tentar manter uma relação honesta e saudável com os filhos para que o caminho do diálogo esteja sempre aberto.
Infelizmente, há pais que, quando o filho é criança, têm uma postura de "capitão Nascimento". Quando ele cresce, começam a bater de frente e a falar alto. Aí, o pau quebra e as relações vão para a banha. Não podemos confundir firmeza com agressividade, senso de justiça com birra.
Uma coisa importante esquecida por pais é que não precisam disputar com os filhos, e sim orientá-los. Não precisam mostrar quem manda, mas quem tem experiência de vida para ajudar. O complicado é achar a forma correta de entrar na mente dos filhos, pois eles, volta e meia, acham-se mais espertos e se arrebentam por isto.
Uma dica da minha mãe é não termos como base das decisões a nossa vontade, mas o que é correto, puxar os filhos para a razão lógica e ética. É importante lembrar também que crianças e adolescentes aprendem mais pelas ações do que pelas palavras. Esse papo de "faça o que eu digo, não faça o que eu faço" não cola mais.
Quem não dá exemplo não tem moral para impor. Temos de ficar atentos para não deixarmos as "crias" escaparem por entre os nossos dedos. Forte abraço!

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

A Compreensão

Por Leandro André

O conceito que melhor define comunidade é o lugar onde os indivíduos vivem em comum. Quase todas as pessoas no Planeta vivem em comunidades e o que as diferencia é a qualidade de vida. As mais pobres, com menos qualidade de vida, e as mais ricas, com mais. Fazendo uma análise apressada, encontramos a justificativa óbvia de que o dinheiro faz toda a diferença. No entanto, conclusões apressadas mascaram as coisas. Então, de forma objetiva, vamos um pouco além do óbvio nessa análise.

Com a violência generalizada no Brasil, tem sido cada vez mais comum a formação de condomínios fechados, onde a classe média alta tenta se esconder, fugir da realidade. São lugares bonitos, com belas mansões e jardins cinematográficos, que evidentemente proporcionam certa segurança e qualidade de vida para seus ocupantes. Mas o ser humano consegue ser feliz, de verdade, vivendo em bolhas completamente diferentes da realidade da imensa maioria?

Vamos deixar um pouco os ricos em suas bolhas e analisarmos as comunidades pobres das periferias, onde vive a imensa maioria da população brasileira. Por que algumas são organizadas, limpas, com saneamento e casas coloridas, enquanto outras são imundas, têm o esgoto correndo a céu aberto e o Estado não chega? Por que a diferença se a questão não é a quantidade de dinheiro de seus moradores?

Eu me atrevo a responder as duas perguntas que fiz nos parágrafos acima. Não, não é possível ser feliz vivendo em bolhas, completamente diferentes da realidade. Pode aliviar, mas o ser humano não nasceu para viver em bolhas. O cotidiano se encarrega de provar isso.

Em relação às diferenças de comunidades pobres, sendo algumas bem organizadas, bacanas, e outras um caos, o motivo está na união dos seus morados e na compreensão da importância desta união. Se o poder emana do povo, conforme garante a Constituição, então o poder está nas comunidades. As que conseguem perceber isso e se organizar alcançam melhor qualidade de vida, ao contrário das que vivem na sombra da ignorância e da pobreza do individualismo. Parece conclusão de almanaque. E até pode ser. No entanto, não adianta enrolar, pois é assim mesmo.

Eu acredito que as comunidades precisam compreender a força que têm quando seus indivíduos se unem pelo bem comum. E quando isso acontecer em nosso País, de forma ampla, então vamos ascender como sociedade e não haverá mais a necessidade dos mais ricos se refugiarem em bolhas e os mais pobres viverem pulando esgoto a céu aberto.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

12 de Outubro. Que data e essa?

Por Frank Domingues

12 de outubro data comemorativa a Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. Data incorporada consumistamente ao dia das crianças. Ela ficou tão marcante como dia das crianças que até foi esquecido o real motivo da celebração. O que devemos relembrar nessa data? Será que devemos pensar na Santa, na religião que aos poucos está desvaindo na sociedade moderna, deixando as pessoas menos próximas de DEUS e também de seus semelhantes? Ou das crianças que alegram o mundo e de seus sorrisos ao ganhar o presente físico?
 Podíamos, ou melhor, deveríamos celebrar a Santa respeitando seus atos, melhorando nossas atitudes cristãs para com todos e incorporar esse espirito fraterno aos ensinamentos às crianças para que sigam os passos de caridade, compreensão e amor ao próximo. Passos que anda em falta em nosso meio, no mundo moderno e globalizado.
 Hoje não se fala mais em religiosidade. Não se fala em família, exceto em datas comemorativas que, mesmo que de modo raso, toque esse sentimento. Quando cito religiosidade, não e defendendo qualquer religião, mas o espirito que leva ao criador independente de que instrumento se utilize. Nossa obrigação é de instruir as futuras mentes pensadoras da importância dos preceitos éticos e deixar em terceiro plano o espirito de consumo e competitividade.
 Como poderemos explicar a um pequeno por que o amiguinho ganhou uma bicicleta e ele um boneco de R$ 1,99? Será de menor dificuldade e de maior necessidade explicar o real motivo do dia 12 de outubro e sua celebração de que fazê-lo entender que seu salário só podia adquirir um boneco. Explicar a um menino que já tem espirito fraterno e mais acessível que algum que não tem ou teve uma família que o ensinara. 
 O capitalismo, ou melhor, a globalização tomou proporções imensuráveis em um período curtíssimo que não nos deu chance adestrar e dominar a situação. Enquanto a religiosidade levou dois mil anos para ter proporções mundiais, a globalização não levou cem. Como dominar algo que cresceu ferozmente e com vontade própria? Um animal que com auxilio dos meios de informação proporciona e incentiva competitividade agressiva desconsiderando a camada e à quem irá atingir.
  A nós, menos agraciados financeiramente, resta-nos explicar aos pequeninos próximos, e dar-lhes a informação que devemos possuir e adquirir para que essas cabeças não se percam em busca da igualdade e equiparação imposta pela globalização. Uma mente perdida faz mais estragos em amplitudes estratosféricas do que uma cabeça com uma boa base e instrução familiar sólida.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

O EXEMPLO

Por Frank Domingues

...esse é o lado certo da vida erra! Assim começa uma frase usada nos morros e favelas brasileiras para justificar a justiça imposta aos devedores e meliantes aos quais ficam em divida com a “comunidade”.
Quando cito do Brasil, e com todo contexto da frase,não pense que apenas restrito a grandes capitais. Isso também esta ocorrendo em pequenas cidades do interior e zonas rurais. Além de terem de lidar com as amarguras de terem filhos usuários e dependentes químicos, as famílias tem que suportar os castigos impostos pelo tráfico. Castigos físicos que servem de exemplo para não cometerem mais delitos e para evitarem que surjam novos infratores.
Esses infratores nunca escapam do júri da periferia. Sentenças, bastantes severas, que muitas vezes deixam marcas eternas ou levam os julgados à morte. Certa manhã de domingo, presenciei uma cena no HPS da minha cidade. Houve certa movimentação próxima à emergência. Vi quando solicitaram a reserva da sala para a realização de um exame de emergência. Após alguns instantes entra Leandro (nome fictício do adolescente de 14 anos filho de um amigo). Com as mãos enfaixadas, marcas de choro e dor no rosto. As ataduras manchadas de vermelho denunciava alguma ferida de difícil estancamento.
Logo me pus a buscar saber o que houve e tentar ligar para meu amigo. Leandro me reconheceu e em lágrimas começou a chorar e pedir para ligar para sua mãe. Após alguns instantes, fui retirado da sala de emergências e apenas ouvia uivos de dor do menino. Algumas horas após, o médico veio até mim para saber se eu o conhecia e também aos seus pais. Respondi que sim, e que já havia ligado para ambos, mas não obtive sucesso. Falei também que poderia assinar a documentação de entrada do menino.
No desenrolar da conversa, o médico me disse que ele teve todos os ossos das mãos violentamente quebrados, pois o mesmo teve as duas mãos postas em cima de um paralelepípedo e recebeu cinco marretadas em cada uma delas. Seria difícil a reconstrução e recuperação óssea, e que provavelmente, terias ambas as mãos amputadas. Seguidamente chegara seus pais, relatei as palavras do médico a eles e minha suspeita confirmou-se nas palavras de um pai em sofrimento: ele devia R$ 200,00 ao tráfico.
A tristeza da família eterna representa um futuro destruído pelas drogas e uma vida limitada por dever R$ 200,00. Seria melhor que tivesse sido executado do que viver nessa tristeza profunda e ilimitada para qual a família viverá?
Ao menos que esse tipo de situação sirva, para que, muitos que estão pensando em vacilar e entrar para essa vida de castelo de ilusões, opte por seguir o caminho mais difícil que esse sim trará a verdadeira felicidade. Aos pais que também conhecem o Leandro tomem atitude de conversar abertamente com seus filhos para manter longe desse mundo miserável e sem volta, a final, o verdadeiro malandro e esperto é aquele que aprende com os erros dos outros.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Racismo doce

Por Manoel Soares
Publicado em O Diário Gaúcho, 09 de setembro de 2011.

Sempre que falo sobre racismo ou outras formas de preconceito as pessoas pensam que é porque sou negro, parte desse pensamento é verdade, o fato de ser negro me faz saber experiencialmente o peso de ser sub-julgado por conta de uma característica física.

Porém, minha luta não é em causa própria, não é em favor dos negros, mas em favor do que acho certo. Existem leis que são falhas, que não correspondem ao que é justo, neste e em outros assuntos. As leis um dia permitiram que pessoas fossem espancadas, vendidas e escravizadas, hoje essas leis são repugnadas por nós, assim como nossa lei de hoje um dia será motivo de vergonha para as gerações futuras. Mas se as leis não são nosso norte, o que devemos seguir então?

Acredito que o bom senso, a capacidade natural de se colocar no lugar do outro, essa deve ser nossa meta sempre, se assim fizermos a chance de nos rendermos aos pré-conceitos é mínima. Estão chegando a mim muitas histórias de crianças negras que são tratadas de maneira hostil pelos colegas na escola, as professoras se defendem dizendo que fazem de tudo para que isso não aconteça, por outro lado não podem fazer nada se os pequenos reproduzem as lições aprendidas em casa.

Estes dias li em um twitter que o berço é o adubo do preconceito, sou obrigado a concordar, as palavras ditas no ultimo domingo pelo ator Robrigo Lombardi no Domingão dos Faustão na final da Dança dos Famosos indica isso. Ele disse que apesar de ser negro, baixinho e caolho o cantor e dançarino Sammy Davis Junior no palco parecia um loiro, alto de olhos azuis. Quem disse que o bonito é assim?

Na ignorante inocência de suas palavras o ator global vomitou o mais doce preconceito que mora em milhares de corações que reproduzem o conceito de sucesso imposto por uma educação social baseada em um ideal quase nazista.

Cabelo ruim, nuvem negra, passado negro entre outros termos fazem parte desse cotidiano racista que nos invade diariamente. Convém lembrar aos que ficam pessimistas que a vida já foi bem pior, convém lembrar aos otimistas que poderia ser bem melhor e aos realistas que cabe a nós mudar o que acreditamos estar errado.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

A cor da dama

Por Manoel Soares
Publicado em 19 de agosto no Diário Gaúcho

Ultimamente tenho recebido muitos e-mails me perguntando qual é meu tipo de mulher, essa curiosidade nada tem haver com assédio, até porque pagar de galã nunca foi a minha cara, não tenho esse potencial, o buraco é mais embaixo. Alguns e-mails me xingavam dizendo que não gosto de mulher branca, outros me acusam de não gostar das negras, eu mesmo não sei de onde saiu esses papos de girinos, mas vambora desenrolar a respeito né?

Primeiro acho que ninguém deve ser xerife da vida amorosa ou sexual de ninguém, com quem os malandros e as minas se embolam é problema deles. Por outro lado, este conflito de cores é algo que sempre fica no ar, ninguém fala, mas todo mundo pensa. já vi muitos negros acabarem nos braços de loiras porque veem nelas uma forma de dizer para sociedade que eles também são capazes, vi muitas loiras saírem com negros por achar exótico ou por acreditar em certas lendas que não cabem nestas linhas.

Porém generalizar taxar as relações inter-raciais como conflitos de personalidade é burrice, em milhares de casos pessoas de cores diferentes simplesmente se amam e querem ser felizes e o mundo que fique na sua, eles se atraem e se curtem e são felizes ignorando as diferenças, O amor não tem cor e quando a cor fala mais alto não tem amor. Eu da minha parte gosto de mulher, não meninas mimadas ou marretas, mulheres que seja no espelho do teto ou na luta diária pode ser minha parceira, isso independe da cor da pele. Claro que se a relação é inter-racial é importante que saibam lidar com as situações delicadas, afinal o mundo é burro e trata ambos de forma diferentes, a mulher branca precisa saber como agir ao ver seu preto sendo discriminado, o homem negro tem que saber proteger sua branquinha de piadas e insultos que possam surgir, tudo na boa e sem crise, mas não é nada que não possamos enfrentar e superar se existe amor.

Lembro aos radicais que nossa raiz é multirracial, temos um sangue misturado, nesse pampa ninguém é puro, nem preto nem branco. Pensar em cores e raças diferentes já matou mais de seis milhões, não podemos cair no mesmo erro, mesmo que as mortes sejam simbólicas. Já comi sushi feito por uma preta que parecia do Japão e já sambei com loira que parecia nigeriana, não posso mentir, existem diferenças sim, os lábios das negras são mais carnudos e firmes, das brancas mais macios e sensíveis, mas os corações são iguais e isso que importa.

Seria lamentável que uma pessoa deixasse seu grande amor escapar por preconceito ou que usasse a diferença da pele para mandar mensagens babacas para os outros, dane-se a cor, amemo-nos, mas pelos motivos certos. Não quero saber a cor dela, só quero que ela seja minha e eu seja dela, afinal existem momentos em que as cores desaparecem mesmo.

Juíza determina toque de recolher em Teresina

Por André Erich

Recentemente a justiça de Teresina, no Piauí, determinou o toque de recolher nas ruas da cidade. Menores de dezoito anos não podem circular pelas ruas, bares e boates depois das 23H, se não estiverem acompanhados dos pais ou responsáveis ou uma carta escrita a punho autorizado pelos mesmos.


O objetivo do Ministério Público é proteger o adolescente do constante aliciamento de traficantes aos menores. Tendo em vista que “o CRACK e a OXI”, já podem ser considerados uma epidemia, na qual, assola 98% das cidades brasileiras.

Para alguns psicólogos e outros especialistas da área da saúde, esta decisão é uma medida muito autoritária que, infringe os direitos dos cidadãos de ir e vir. Para eles tal resolução não terá sucesso porque o jovem deve ser educado com responsabilidade e não austeridade.

O fato é que, certa ou não a referida medida, fica muito claro que há uma luz no fim do túnel, pois se pessoas influentes na sociedade já discutem o assunto, já é um começo, Entretanto, há muitas outras medidas que devem ser analisadas no combate contra as drogas, aí estão algumas delas:

· O alto índice de analfabetismo no Brasil (atrelado a si a falta de informação de muitos pais).
· A baixíssima qualidade de ensino e preparação de professores da rede pública para lidar com crianças problemáticas.
· Violência doméstica.
· Impunidade a traficantes.
· Ações sociais mais efetivas e sistemáticas nas escolas (palestras constantes sobre o tema).




Usuários e Crime tem ligação?

Por Frank Domingues

Todos os especialistas, antropólogos, jornalistas criminais, profissionais da área de segurança, enfim a sociedade liga o aumento da criminalidade ao consumo de drogas. Usuários furtam e roubam qualquer coisa de qualquer pessoa para saciar o vicio da droga. Mas ate que ponto isso posso ser interligado? Uma pergunta um tanto curiosa para não dizer estranha, que eu mesmo comecei a perguntar-me há uns meses.

Um amigo de infância foi para esse lado escuro. Apesar de ter tudo que a família podia proporcionar-lhe, inclusive amor, carinho e criação digna, ele cedeu ao encanto miraginoso das drogas. Velha história, um baseado para fazer parte de galera, depois um pó para ficar alegre ate que chegou ao mais alto pico da pedreira.

Desde sua entrada nesse submundo, eu em varias conversas francas que tínhamos, eu reparei uma coisa fora da normalidade. Ele nunca roubara para sustentara o vicio. Perdeu vários empregos, inclusive dois de cunho público. Mas sempre fazia seu corre sem prejudicar alguém se quer.

Por muito tempo achei que fazia jus a frase: toda regra tem sua exceção. Com o passar dos meses, e devido ao meu local de trabalho comecei a ter contato com vários tipos de usuários, meliantes, enfim a “sujeira da sociedade”. Inevitável não conversar sobre vários tipos de assuntos, inclusive sobre a assinatura dos artigos assinados por eles.

Esse contato, aliado à curiosidade comecei a anotar alguns aspetos sobre isso. E um dos dados que formulei em gráfico foi que, a cada dez usuários, dois fazem corre para sustentar o vicio. A faixa de idade desse tipo de usuário autossustentado e de 25 a 45 anos.
Agora começo a questionar que, será que os usuários que roubam e depois usam o vicio como desculpa e vice versa, realmente são “doentes” ou são geneticamente malandros demais para trabalhar, mesmo que não fossem usuários?

Mesmo que não se utilizasse das drogas, será que cometeriam os mesmos crimes? Teriam a disposição de qualquer cidadão para labutar dia a dia, sol a sol?

Ainda terei de estudar muito, e pensar mais ainda, pois o bryanstorm sobre esse assunto é violento porque sempre terá uma nova questão polemica, um sociólogo radical, um antropólogo liberal e tudo fora de sintonia, mas com uma única coisa em comum: manter os jovens, principalmente os mais vulneráveis longe das drogas e do crime.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

O Bairro que Queremos

Por Leandro André
Diretor da Gazeta Centro-Sul

Desde 2008, vem sendo desenvolvido no Bairro São Francisco, na cidade de Guaíba (RS), o projeto “O Bairro que Queremos”, que acontece por meio de um conjunto de ações envolvendo comunidade, iniciativa privada e poder público. Muitas coisas positivas têm sido feitas, como a Praça na entrada da Vila; pavimentação e limpeza de ruas; cursos de culinária e artesanato, entre outros. No entanto, percebo que as coisas acontecem com mais facilidade quando a participação da comunidade é maior. Há quem fique esperando as coisas acontecerem, o que dificulta a realização de mudanças importantes. É preciso acreditar que tudo fica mais fácil na vida em sociedade quando a maioria quer o melhor e participa das ações para melhorar.

Um grupo de voluntários realiza trabalhos promovendo a cidadania; inclusão digital; qualificação profissional; melhorias do meio ambiente; e tentativa de reduzir a evasão escolar. Entre as diversas atividades já realizadas, estão mutirões de limpeza; construção de uma praça; legalização da Associação de Moradores; cursos de informática; oficinas profissionalizantes; e cursos da Cozinha Brasil, que ensinam a preparar refeições de baixo custo aproveitando os nutrientes de partes das verduras e legumes que na maioria das vezes são jogadas fora.

Além de funcionários da Sulfato Rio Grande, fazem parte do corpo de voluntários representantes da Prefeitura, da Escola Estadual Otero Paiva Guimarães, da Ulbra, da Gazeta Centro-Sul, do Projeto Pescar, da Associação de Moradores do Bairro São Francisco, da Escola de Educação Infantil Santa Isabel, da Brigada Militar, do Grupo AMA, da 12ª CRE e do Grupo de Terceira Idade do Sesi. Há também a participação de alguns membros da comunidade, mas ainda em número pequeno.

Em breve, será lançado o jornal do Bairro, que leva o nome do projeto, para que todos os moradores possam se informar melhor a respeito do que está acontecendo e consequentemente participar, dando a sua contribuição; colocando a mão na massa, como se diz.

No primeiro semestre deste ano de 2011, o projeto recebeu o troféu Parceiros Voluntários do Rio Grande do Sul, destacando-se com mais onze, no Estado, que colaboram sobremaneira com o fortalecimento da cidadania do povo gaúcho.

Para uma comunidade se desenvolver e melhorar a sua qualidade de vida é preciso que os moradores estejam bem informados e que participem das ações comunitárias. Não é tarefa fácil promover mudanças, mas também não é impossível. E tudo se torna bem mais fácil de alcançar quando a maioria quer e colabora.

Para quem desejar maiores informações sobre o projeto O Bairro que Queremos, é só ligar para (51) 3491.9300.

domingo, 10 de julho de 2011

A UNIÃO DA MASSA

Por Frank Domingues

 
Na natureza humana, existem duas características que, se fossem aplicadas a rigor, a vida em sociedade seria bem melhor. Humildade e União. A humildade para reconhecer os erros, ser solidários e amorosos. A união para vencer barreiras e preconceitos e procurar a melhor maneira de tornar a sociedade, o local onde vivemos num local melhor e mais justo.

Por isso venho humildemente, pedir desculpas a vocês leitores e principalmente a minha coordenadora da CUFA/RS - A Nathaly. Essas desculpas são por ter sumido, sem ao menos explicar. Mas justificativas serão citadas.

A vida corrida, e luta por melhoras é o que todos querem. Porém nada na vida é como queremos e nos impõe caminhos os quais devemos escolher. Eu escolhi pela família e nessa escolha tive que aumentar a casa, o famoso puxadinho e juntando com final de semestre dos meus alunos até passar “a classe” para meu substituto, se passaram dois meses.

Nesse período de construção, entre uma folga e outra eu distraia-me com livro ABUƧADO (não manos e minas, não está escrito errado é com S virado mesmo). Livro esse do conterrâneo Caco Barcelos. Essa literatura trata, em primeira vista, da biografia do Juliano VP, chefe do morro Dona Marta/RJ.

Não quero fazer apologia ao crime, mas outra cena me chamou a atenção no livro. A UNIÃO. O inicio do morro, os moradores eram todos unidos, que acabaram chamando a atenção das autoridades. Autoridades Politicas, Autoridades Eclesiásticas. Autoridades como: Leonel Brizola (outro conterrâneo), Dom Helder Camara entre outros.

Esses primeiros moradores, na década de 60, fizeram através da união, um local melhor de se viver. Construíram através de mutirão um reservatório d’ água que saia do pico até ao pé do morro que abastecia a favela. Convenceram a Light (concessionária de energia elétrica do RJ) a por um gerador de energia para iluminar os barracos, criaram a associação de moradores entre outros benefícios de melhoria social. Necessidades que deveriam ser de obrigatoriedade do Estado, e que para variar é negado a todas as comunidades do Brasil.

Hoje essa união falta em todas as vilas, bairros, comunidades de todo o Brasil, inclusive no Dona Marta. Não vemos essa união em nenhuma quebrada. Nem em prol da vizinhança nem de nós mesmos. Algumas vezes, noticias de algum abaixo assinado, como, por exemplo, 300 assinaturas ondem residem 1200 pessoas. Um número ínfimo, mas de grande valor, mostrando que a chama ainda esta acesa.

A união quebra barreiras, vence preconceitos, gera amizade e igualdade. Deveríamos não apenas formular abaixo assinados, deveríamos, além disso, cobrar de quem é de direito. Teremos de ser “alegrinhos” e fazer panelaços como argentinos, venezuelanos e reivindicar o que é de direito. Direito a moradia, alimentação, salários e empregos dignos, saúde que está mais que em baixa, e principalmente educação.

Tem muitos que defendem o comunismo, outros o socialismo e muitos a anarquia. Não importa o que defendemos, temos que defender o que é do povo, o que é meu e seu. Devemos ir à luta sem medo de perder nada, pois o povo não tem mais nada a perder, ou melhor, temos que perder o medo de lutar, afinal os criminosos de terno tem mais a perder do que a massa.

“se o povo for pro arrebento, aquela p... do congresso já estaria em chamas a temos”.
e.m.i.c.i.d.a rapper

Limpando a farda

Por Manoel Soares
Postada em 24 de junho no Diário Gaúcho

Estou fazendo, por meio da Cufa, um trabalho bem maneiro com os jovens internos da Fase, onde eles estão discutindo comunicação. Entre outras coisas, eles discutem o papel que temos na sociedade. Não estou tendo o menor problema com a parte técnica ou conceitos de comunicação. Eles são ligados e inteligentes.
Ontem, quase que o bicho pegou quando começamos a falar sobre a polícia. Todos tinham uma história de dor envolvendo a Brigada MiIlitar. Um dos meninos contou que seu primeiro contato com a Brigada foi aos seis anos, quando durante uma revista à sua casa, o policial jogou o botijão de gás na cama onde ele estava deitado com a irmã mais nova.

É injusto condenar os mais de 30 mil policiais que temos no Estado por conta de alguns torturadores, maníacos e homicidas que se escondem atrás do honrado brasão da Brigada Militar, mas a própria corporação deve se dar conta que terá que ser mais firme quando o assunto é a limpeza interna.

A expulsão da Brigada do assassino do jovem boxeador Tairone Silva, de Osório, é um gesto que deve ser regra. As comunidades precisam acreditar que a lei também se aplica aos homens da lei. Nas periferias do Estado, o ódio pela polícia é uma herança passada de pai para filho. Muitos odeiam a Brigada pelo que ela fez ao seu avô, e este ciclo de medo e violência não termina.

Chegou a hora da Brigada Militar conversar com as comunidades, sentar e ouvir. Óbvio que teremos que ouvir também. A polícia não foi inventada para nos dar pau, e isso vai ter que mudar, mas ambas as partes têm que baixar a guarda. Estou começando um projeto com um batalhão da Capital para que a comunidade ouça e fale sobre a relação deles com a polícia.

Depois de ter ido à África do Sul, entendi que esta aproximação é possível, mas não vai acontecer se não houver estímulo. Todos nós perdemos se esta relação continuar assim: a comunidade tem ao lado uma polícia na qual não confia, os bons policiais sofrem por conta das atitudes dos maus policiais e a cidade vive as consequências deste conflito.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Pequenos Soldados do Bem

Por Leandro André
Diretor do Gazeta Centro-Sul

A comunidade da Vila São Jorge, em Guaíba, é uma das muitas no Brasil que, constantemente, acompanha notícias negativas sobre o que acontece na própria Vila devido a meia dúzia de figuras que teimam em agir fora da lei, acreditando que isso possa servir de atalho para algum lugar bacana. A ilusão dessa meia dúzia resulta numa carga negativa registrada nas páginas policiais, dando a impressão de que toda, ou a maioria daquela comunidade, trilha por este caminho marginal, quando na verdade é
o contrário.

Em agosto de 2010, estudantes guaibenses das escolas da Vila São Jorge deram um show de cidadania e superação, destacando-se em um festival nacional de dança realizado em Porto Alegre. O Projeto Vida conquistou o 1º lugar no II Brasil em Dança, que aconteceu no Teatro do CIEE, de 24 a 29 de agosto, na Capital Gaúcha. O evento teve na abertura a presença da bailarina Ana Botafogo.

Participaram 39 grupos na categoria Projeto Escola, na qual o Vida concorreu com a dança Soldadinhos de Chumbo. “Os projetos sociais tornam-se espaços permanentes dos nossos sonhos pessoais e coletivos”, ressaltou a professora e coreógrafa Rosaura Alves, responsável pelo trabalho apresentado.

De repente, a Vila São Jorge leva o nome de Guaíba para todo o Brasil de forma positiva. Os estudantes daquela comunidade pobre mostraram que podem muito, que possuem riqueza cultural. Mas o mais importante desta conquista foi o exemplo que deixaram a toda sociedade, ressaltando que as comunidades deste País possuem talentos importantes, capazes de superar grandes dificuldades e se destacarem nas artes, nos esportes, na ciência, na vida profissional e social, basta que a sociedade e o poder público lhes deem oportunidades e os vejam com olhos que transcendam a meia dúzia de marginais que teimam em acreditar no atalho sem saída.

Neste caso, os estudantes da Vila São Jorge demonstraram que são bem mais do que os soldadinhos de chumbo da Literatura, mostraram que são jovens vencedores, pequenos soldados brasileiros do bem.


quinta-feira, 2 de junho de 2011

CUFA RS e o Comitê Gaúcho por um Brasil sem armas

Por Vitória Bernardes
CUFA Eldorado

Acompanhei o Pretinho e gostaria de esclarecer algumas informações. A Rodaika comentou sobre problemas graves no acesso a saúde e sugeriu que as indenizações dadas às armas entregues à campanha do Desarmamento fossem aplicadas para suprir estas carências. Com certeza a saúde precisa de cuidados, mas é importante que todos saibam que armas de fogo (sejam acidentes, tentativas de suicídio, crimes) também geram um alto custo para a saúde. Além de números, o impacto na vida de vítimas de armas de fogo é imensa.

Aos 16 anos de idade fui atingida por uma bala perdida e, decorrente a isso, me tornei tetraplégica. Atualmente faço parte da Rede Desarma Brasil, que conta com a participação de diferentes ONGs do país como Viva Rio (RJ) e Instituto Sou da Paz (SP), e do Comitê Gaúcho por um Brasil sem armas, que conta com importantes representações como a CUFA, que em parceria com o Ministério da Justiça, são responsáveis em promover essa campanha.

É importante compreender que este assunto diz respeito a todos, inclusive aos inúmeros ouvintes do programa. Justamente pela abrangência que o Pretinho possui, mais do que falar sobre opiniões, é importante construí-las baseadas em fatos. Sendo assim, repasso os seguintes dados:

No Brasil há 16 milhões de armas em circulação. Destas, 2 milhões de armas estão nas mãos do Estado e 14 milhões em mãos civis.
Só em 2008 as armas de fogo ceifaram 34.678 vidas. São 95 por dia, 01 a cada 15 minutos (sem contar pessoas que, como eu, apesar das sequelas, permaneceram vivas)
O relatório da CPI do Tráfico de Armas mostra que 68% das armas apreendidas com criminosos haviam sido vendidas legalmente. Ou seja, as armas que matam os brasileiros são justamente as que a campanha do Desarmamento visa atingir. É importante esclarecer que a posse de arma representa risco a quem a possui. Se a deixarmos carregada, caso sua posse seja a fim de proteção pessoal, ela estará sujeita a acidentes fatais e, caso esteja descarregada, não dará tempo de realizar o procedimento. Sendo assim, possivelmente SUA ARMA será roubada e utilizada para práticas de crimes. Além disso, especialistas sempre frisam que reagir a um assalto aumenta as chances de latrocínio.

Nosso Estado possui uma história de luta, que muitas vezes é confundida com o uso da força física na defesa de seus princípios. Felizmente há uma mudança, mesmo tímida, neste contexto. Muitos possuem armas deixadas de herança ou a adquiriram de forma ilegal e, mesmo querendo se desfazer delas, não sabem como. A campanha quer atingir também este público, por isso não pede identificação e utiliza a indenização como estímulo.

Após a aprovação do Estatuto do Desarmamento houve queda acentuada nas taxas de homicídio por arma de fogo, mas houve novas altas em 2006 e 2008. A Campanha de Entrega voluntária, desde 2004/2005, é permanente, porém enfraqueceu ao decorrer dos anos seguintes (2004-2005: 472.855 armas, 2008: 18.121 armas, 2009: 13.749 armas). Como o sucesso nos primeiros anos contribuiu para a queda de homicídios, retomamos a campanha com o intuito de fortalecê-la.

A entrega voluntária de armas tem um objetivo baseado numa lógica simples: menos armas = menos mortes.
Espero que compartilhem esta idéia e repassem as informações.

Como entregar sua arma?

AUTORIZAÇÃO: Retire uma guia de trânsito no site da Polícia Federal (www.dpf.gov.br) para legalizar o trajeto com o material até o local de recolhimento

ARMAZENAMENTO: A arma deve ser entregue embalada e descarregada em uma unidade da Polícia Federal ou em entidades cadastradas. As munições devem ser levadas separadamente

ANONIMATO: No local de entrega, não será solicitada identificação pessoal. As armas podem ser ilegais

INUTILIZAÇÃO: A arma será inutilizada no ato da entrega, com uma marreta

PAGAMENTO: O dinheiro (de R$ 100 a R$ 300) estará disponível para saque no autoatendimento do Banco do Brasil um dia após a entrega
Mais informações em www.entreguesuaarma.gov.br
Agradeço a todos a compreensão! Qualquer dúvida, estou a disposição.
Grande abraço e PAZ

Vitória Bernardes
CUFA Eldorado

FONTES: VIVA COMUNIDADE, Estoque e Distribuição das Armas de Fogo no Brasil, 2010; PIMENTA, Paulo (deputado relator). Relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito destinada a investigar as organizações criminosas do tráfico de armas. Brasília: Câmara dos Deputados, 27.11.2006; SOU DA PAZ, 2010. Implementação do Estatuto do Desarmamento: do Papel para a Prática




segunda-feira, 9 de maio de 2011

Bastidores da Pedra

Por Manoel Soares
Publicado no Diário Gaúcho

O que vou escrever é baseado no que tenho visto e vivido nas comunidades em que ando. Por mais que muitos, depois de ler, fiquem mordidos, é a mais pura realidade. Avenidas e ruas estão cada vez com menos zumbis da pedra zanzando. Por quê?

O crack, durante anos, atormentou a vida dos moradores de comunidades. Fomos vítimas e algozes dessa desgraça. As favelas, que antes vendiam droga para os boys, sustentavam o tráfico sem precisar da grana do asfalto. Por outro lado, os viciados quebravam o equilíbrio das bocadas – não respeitavam escolas, igrejas e nem varais.

Os traficantes estavam num dilema: se matassem os viciados as “donas Marias” se revoltariam com a morte dos filhos e a alcaguetagem era iminente. A solução foi deixá-los vivos, mas expulsá-los da comunidade. O medo começou a descer o morro, as estruturas sociais tremeram e foi uma correria, pois a praga estava atingindo os filhos dos faraós. Os acampamentos de craqueiros nas ruas do Centro eram comuns.

Para aplacar a crise, a polícia entrou no jogo. Após algumas medidas socioeducativas e muitas borrachadas, quem sobreviveu ao terror da pedra foi em busca de anistia na comunidade de origem. Apesar de viciados, prometeram a mães e familiares que iriam mudar e tal. Como esperado, sem ajuda profissional ou intervenção médica voltaram ao cotidiano de roubo e consumo.

A questão é que não podem mais voltar para o asfalto e o tráfico não tolera o comportamento de um usuário crônico. No meio desse de caos, muitas mães têm vindo a mim dizer que seus filhos simplesmente sumiram. Não acham nem vestígio deles. A maioria acredita que não estejam vivos, pois não tinham condições nem de pegar um ônibus. Se estão mortos, onde estão os corpos?

Chego a uma mórbida conclusão: se, como sociedade, não tivemos competência para resolver o problema do crack, o sistema que o criou está resolvendo, mas à sua maneira. Pode parecer cômodo para nós, mas o preço disso é alto e a conta vai chegar um dia. O crack é só o começo de muito que está por vir. Temos de abrir o olho. Valeu, galera!

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Demorei, mas está aqui

Por Manoel Soares
Publicado no Diário Gaúcho

Um leitor de nome João Carlos me mandou e-mail dizendo que esperava que eu me pronunciasse sobre o caso do deputado carioca Jair Bolsonaro, que esculachou os negros em rede nacional e depois falou que estava falando dos gays.

Na verdade, não me omiti no assunto, somente fiquei observando para ver até onde ia e, como eu previa, o papo morreu. Quem ganhou foi o racista, que teve uma baita mídia.
Porém, deu para chegar a algumas conclusões. A primeira é que a sociedade acredita que o racismo é um problema dos negros, o que não é verdade. Essa anomalia social deve ser combatida por todos.

Outra é que, de certa forma, é positivo, porque mostra que, quando os negros denunciam casos de racismo, não estão querendo chamar atenção. Racista não é extraterrestre, não é ET, ele existe e é daqui mesmo.

Outro aspecto desse assunto, para mim, o mais sério, é o silêncio da comunidade negra. É como se fôssemos açoitados e cuidássemos para que nosso choro não perturbasse o sono do filho do senhor de engenho.

Fico motivado quando vejo exemplos de negros que fazem faculdade, que se destacam nas suas carreiras e vidas pessoais, entretanto, a apatia da nossa massa nessas horas me decepciona. Contraditoriamente, quando o centro do problema é outro negro, muitas vezes atacamos em massa como se o pecado fosse maior.

Vou nessa, galera, como negro e favelado, sinto-me à vontade para fazer essa reflexão. Afinal, o deputado Jair Bolsonaro passa, mas o preconceito fica, e é bem maior do que o que vemos na televisão.

Felicidades, galera. Até semana que vem!

Bolsonaro: o Brasil de verdade?

Por Rodrigo Ramos
Colaborador

É comum o discurso médio brasileiro exaltar a nossa miscigenação e dizer que não existe racismo no Brasil em virtude de nosso traço histórico-genético. Se esquecem que não houve nenhum escravo branco em nossa história, no máximo existiram trabalhadores que vieram da Europa e foram explorados largamente, se bem que isso acontece até os dias atuais.

Vivemos, ou pensamos viver em uma Democracia e por mais absurdas, destemperadas e revoltantes que as declarações do Deputado Federal do Rio de Janeiro possam parecer, ele tem direito de externá-las. O que realmente me assusta é o número de pessoas que compartilham das opiniões do polêmico congressista. Claro, é bom ressaltar que ele não pode ofender outros ao expor suas ideias e não cometer crimes ao preferir suas palavras.

Vejo muitos falarem contra as cotas raciais nas Instituições de Ensino Superior, eu mesmo não acho que isso seja ideal, enxergo esse tipo de política um paliativo. É urgente e necessária a retomada de uma qualidade aceitável nos ensinos médio e fundamental proporcionados pelo poder público. Mas, por enquanto, a medida das cotas tem de ser feita. Estudei em algumas escolas estaduais e tinha poucos colegas negros, nem preciso dizer que nas instituições particulares nas quais estudei não consigo encher uma mão com os colegas de classe afrodescendentes. Não há argumento que derrube o fato de que é muito mais difícil o acesso das minorias aos quadros dos ensinos superiores. Enquanto isso, passo diariamente pelo estacionamento da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e vejo muitos carros, boa parte deles nacionais de luxo ou importados.

Existe sim racismo no Brasil! E isso pode ser percebido nos pequenos gestos, desafio alguém me dizer que nunca desviou de calçada por ter visto um negro em trajes ditos maltrapilhos. Por outro lado, nunca ouvi ninguém que tenha mudado sua rota em função de ter passado perto de um caucasiano com terno ou algo que o valha. Sem falar nos crimes de colarinho branco, temos muitos assaltantes que se trajam de forma considerada de alto nível para cometer seus ilícitos com maior facilidade. Estamos em 2011 porém, os relacionamentos interraciais duradouros ainda são raros e não poucas vezes causam mal estar para as famílias do casal. Sem falar no racismo inconsciente, muitos brancos sequer conseguem ver beleza em pessoas negras.

Se o racismo ainda é tabu, por óbvio, a homossexualidade também o é. Aqui no Rio Grande do Sul, muitos brincam que a única coisa pior do que ter um filho homossexual, seria ter um herdeiro que torcesse contra o seu time do coração, vide a rivalidade absurda entre os dois grandes times de futebol do estado. A questão da sexualidade me remete de pronto à vontade dos pais em ver seus filhos transformados em cópias do que eles, pais, são. Com isso, os casais, que em sua maioria são heterossexuais têm enormes dificuldades em aceitar uma opção diferente por parte de seus rebentos.

Temos muito a evoluir e em diversos aspectos, fica latente que o Brasil está longe de ser a terra de liberdades e libertinagens que alguns dizem ser, temos um lado muito conservador, ainda vivemos muito atrelados aos princípios de Deus, Pátria, Família e Propriedade Privada. Alguns ainda não aceitam o Estado Democrático de Direito e, ainda pior, temos um número expressivo de jovens que se declaram conservadores de direita, espero que o nosso país não retroceda.