segunda-feira, 18 de abril de 2011

RECONHECIMENTO AFRO-ASCENDENTE

Por Frank Domingues
Colaborador

Eu digo a você hoje, meus amigos, que embora nós enfrentemos as dificuldades de hoje e amanhã. Eu ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado... Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença - nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais.

É com essas frases que um dos maiores ícones NEGRO, que lutou por nossa liberdade em tempos de outrora, e que ainda ecoou em todos os homens como forma de incentivo a luta pacífica pela igualdade. Estou falando de Martin Luther King Jr. (Atlanta, 15 de janeiro de 1929 — Memphis, 4 de abril de 1968).

Em uma sala de espera do dentista, resolvi pegar um jornal local para entreter-me enquanto não chegava minha vez. E como tem todos os jornais do país à época, a notícia de destaque era; A visita de Obama, “o homem mais poderoso do mundo”. Com toda certeza, o presidente americano é modelo de inspiração para todos os homens e mulheres de vários cantos do planeta, principalmente para os negros.

Continuo minha leitura, e uma foto chamou a atenção notavelmente. Nossa presidenta, Dilma Rousseff brindando uma taça de Champgne ao grande líder Luther King. Logo me questionei: Se me lembrara de ver a presidenta envolvida com alguma entidade afro brasileira? Como podemos brindar ícones gringos enquanto tempos notórios nacionais e COMPLETAMENTE ESQUECIDOS, principalmente por órgãos políticos? Antes de comemorar a casa alheia, devemos arrumar a nossa. Será que eles fizeram algum brinde ao nosso ZUMBI dos PALMARES (Alagoas 1655 – 1695. Batizado de Francisco por missionário)? GANGA ZUMBA, DANDARA? Será que o presidente americano já ouviu falar deles?

Fiquei certo que o mundo da politicagem e cínico e um jogo de interesses, e que fazem de tudo para ter benefícios, usando nome de tudo e todos, inclusive em nome do povo. Ou melhor, tudo em nome do povo. Por isso que os pobres de modo amplo e geral devem ir para “guerra” contando apenas com a coragem, e esquecer que o governo deveria ajudar. Ajudar com escolas, cultura, lazer. Enquanto não ajuda, devemos cobrar em paralelo enquanto sobrevivemos e lutamos para ter o mínimo de dignidade.

O primeiro passo que deveríamos mostrar a quem deveria, é a honestidade. Ela não tem classe social, nem cor e nem credo. É fácil dizer que a escola e longe, que pobre tem que trabalhar, que o governo não faz nada, mas pobre guerreiro não se esconde na facilidade, ele enfrenta a dificuldade e mostra para a política que não dependemos dela para ser notório.

Através da nossa vitória, podemos ensinar aos filhos, amigos, parentes e a tantos outros, a história da luta dos antepassados negros brasileiros, contra a escravidão, a segregação racial e exclusão. Podemos dizer que ZUMBI e nosso mártir e quem foi Luther King, e a sua luta pela liberdade americana, e que todos os ícones de todas as nações que lutaram pela liberdade, intervieram positivamente em todo o canto mundial.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Yes, we can!

Por Rogério Garcia
Assessoria de Comunicação CUFA RJ

Dizem que a educação e a cultura são capazes de mudar pensamentos e posturas de uma sociedade.
Levando em consideração que nós da comunidade LGBT somos responsáveis pela maior parte do fazer cultural do nosso país, começo a acreditar que tem alguma coisa errada.

Vamos aos fatos: É notória a presença de Gays, Lésbicas e Trans em todos os segmentos culturais do país – Atores, diretores, maquiadores, Redatores enchem os nossos teatros e telenovelas de sonhos e questões pertinentes à sociedade. E o que falar então do maior espetáculo da Terra? O Carnaval Carioca e o Desfile das Escolas de Samba do Rio de Janeiro simplesmente não existiria sem nós gays, que estamos representados nos carnavalescos, coreógrafos, artistas plásticos, costureiros, diretores entre outras funções. Então, porque o ponto de mudança para discussões pertinentes ao nosso universo são tão difíceis de serem discutidas? Falta união? Falta foco? Porquê as bancadas políticas contra os nossos direitos são mais fortes e significativas?

Em 2009 remontei um espetáculo chamado “Todo Amor que Houver Nessa Vida”, com a direção magnífica da atriz Zezé Motta (sua primeira direção para o teatro). Nosso maior desafio foi fazer uma peça que não fosse comédia, com temática LGBT, num dos palcos mais respeitados do Rio de Janeiro: a Casa de Cultura Laura Alvim. Foi um sucesso! Casa lotada todos os dias. No entanto o que mais me intrigava eram os comentários de pessoas que iam assistir à peça achando que, pelo título, o espetáculo falaria da vida do cantor Cazuza. Uma vez ouvi de uma advogada: “Eu nunca imaginei que o relacionamento entre dois homens poderia ser tão bonito, tão normal”.

Chegou a hora de mostrar e exigir respeito! Chega de brigas internas, chega de falácia! Vamos agir: vamos mostrar que é possível uma sociedade menos desigual em todas as instâncias!

Cada um na sua arte, cada um com sua arma, cada um mostrando que “sabe a dor e a delícia de ser o que é”.

Sim, nós podemos!

sexta-feira, 18 de março de 2011

TV: a vida como ela é?

Frank Baldez
Colaborador


Até que ponto a mídia, musicas e filmes podem interferir no crescimento de uma adolescente? Aqueles famosos que deveriam ser exemplos, e quando menos esperamos deparamos com alguma coisa errada. Nosso ídolo, como qualquer mortal, como qualquer morador de qualquer classe, aparece afundado em drogas. Seja licita ou ilícita, afinal droga e droga.
A mesma mídia que julga o usuário pobre, glorifica o usuário famoso. Analisamos alguns algumas personalidades internacionais, que possuem várias acusações de embriaguez e quantas penas cumpridas? Temos também um vasta lista de celebridades nacionais, e nenhuma pena efetivamente executada.
Essas pessoas, que são formadoras de opinião, personalidade pública, deveriam ter uma vida social dentro da moralidade, pois mesmo sem elas perceberam, por mais que digam que saibam, servem de modelo e inspiração para muitos jovens.
E por mais que não queira pensar, esses jovens, são da periferia. Não tem ambos os pais, acesso a educação, e tudo que veem em seus ídolos, mesmos coisas negativas, acabam por imitá-los. Só que eles não sabem e que uma viajem sem retorno. O retorno para pobre, dessa viagem, e de um contra 1000.
A periferia não pode pensar que, se entrar no mundo cancerígeno das drogas, eles não terão o beneficio de admitir publicamente que são usuários (ou melhor doentes), e também não terão apoio de nenhuma emissora de televisão ou do governo e muito menos recursos financeiros de suas famílias.
Mesmo que os ídolos tenham uma vida social padrão, como seus personagens atinge um moleque que sabe de cor a programação da televisão, mas não sabe escrever seu nome? A mente infanto-juvenil e um campo vazio que está por ser preenchido, porém se esse campo for habitado, mesmo ficticiosamente por personagens com armas, drogas, violência e crime, estaremos formandos adultos violentos.
Temos que ensinar aos nossos filhos, nas escolas, nas comunidades que a pessoa que trabalham de sol a sol, sustentam suas famílias, tem tanto ou mais valor de que os ídolos inexistentes, que vivem fora da realidade periférica.
Faremos nossa parte, sem mesmo ter a parte que deveria ser feita pelo governo, e devemos filtrar o que nossos filhos assistem na TV, pois as pequenas mentes não sabem distinguir o que errado, pois disfarce que encobre a violência na TV, é perfeitamente muito bem feito.

sábado, 12 de março de 2011

Perdoem o anjo

Por Manoel Soares
Publicado no Diário Gaúcho

Ver que seu filho já lava louças sozinho. Acordar um dia e se dar conta de que sua filha usa sutiã ou que sua mãe envelheceu e tem mais cabelo branco do que quando você reparou pela última vez. Perceber que seu irmão mais novo precisa de um barbeador.

Essas são algumas das constatações a que muitos de nós chegamos depois um tempo, não que sejamos irresponsáveis ou desatentos, mas porque voltamos nossos olhos para aqueles que pareciam precisar mais da nossa ajuda naquele momento.

Professores, policiais, educadores sociais e muitos outros sabem do que estou falando. Em algum momento, já foram acusados desse pecado.

A Bíblia diz que “quem não faz previsão para os seus é pior do que alguém sem fé”. Mas nossa ausência é por excesso de fé, nossa abnegação se explica por ver que os anjos da morte se espalham com uma velocidade assustadora.

Autodeclaramo-nos “anjos da vida” e esticamos nossas asas imaginárias para tentar fazer a diferença, pelo menos, naquele dia. Com a imbecilidade de mergulhadores salva-vidas, pulamos na água mesmo sabendo que, com o mar revolto, não será possível voltar.

Nossa ingenuidade nos convence que todos vão entender. Talvez, todos entendam, mas não o tempo todo. Um dia, o mundo à nossa volta nos olha e exige que mudemos a escolha diária. Nessa hora, o peito rasga e não temos escolha, um pouco de nós vai morrer ali.

Respeito e admiro aqueles que conseguem esquecer o mundo para cuidar dos seus, eu não cheguei a este nível de evolução. Faço parte daqueles que ainda esquecem dos seus para cuidar do mundo.

Sei bem como isso doi, não sei se um dia farei diferente. Porém, como disse um amigo que compartilha da mesma dor que eu: “Perdoem esse anjo que não me deixa em paz”.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Amolando a mente

Por Manoel Soares
Publicado no Diário Gaúcho

Estes dias, um menino veio me perguntar por que precisava estudar se muita gente sem estudo também vive bem. Fora aqueles papos óbvios sobre educação, me liguei que precisava entrar na mente do moleque. Talvez, como milhares de jovens, ele estivesse pensando em abandonar a escola.

Lembrei de uma história que recebi por e-mail: um velho lenhador, conhecido por sempre vencer os torneios dos quais participava, foi desafiado por um outro lenhador jovem e forte. Muitos acreditavam que o velho perderia a condição de campeão dos lenhadores, em função da grande vantagem física do jovem desafiante.

No dia marcado, os dois começaram a disputa. O jovem se entregou com grande energia, convicto de que seria o novo campeão. De tempos em tempos, olhava para o velho e, às vezes, percebia que ele estava sentado. Pensou que ele estava velho demais para a disputa, e continuou cortando lenha.

Ao final, foram medir a produtividade dos dois lenhadores. O velho vencera novamente, por larga margem, aquele jovem e forte lenhador. Intrigado, o moço questionou:

– Não entendo. Olhei para o senhor durante a competição e notei que estava sentando, descansando. No entanto, conseguiu cortar muito mais lenha do que eu!
– Engano seu – disse o velho. Quando você me via sentado, na verdade, eu estava amolando meu machado. Percebi que você usava muita força e obtinha pouco resultado.

Essa é a real da nossa vida, galera. Tentar vencer sem estudo é cortar lenha com machado cego. Vai ser mais desgastante e menos proveitoso. Não é somente o que se estuda, mas a disciplina de estudar que faz a diferença. Não adianta somente obrigar o menino a estudar. Como pais e amigos, precisamos convencê-los que estudar é amolar a mente para cortar as dificuldades que a vida trará. Se não, sempre seremos vencidos sem entender o motivo.

Por isso, recomendo aos que vão iniciar seu ano letivo: sentem para amolar seus machados.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Viagem de macaco velho

Por Manoel Soares
Artigo publicado no Diário Gaúcho

Depois de viver por mais de três anos a campanha Crack, Nem Pensar, me assustei com a aproximação natural de milhares de jovens com as drogas. Muitos nem sequer sabem que estão
enfiados num mar de horrores. Outros, encontram a solução para a dor no falso prazer oferecido pelas drogas.

Nestes rolês pelo Litoral me dei conta de algo que passou a me preocupar mais ainda: a drogadição dos adultos. Fiquei abismado com a quantidade de homens e mulheres pais de família que usam droga, como cocaína e crack. Conversando com um desses casos, ele me afirmou que dava uns
“tecos” só nos fins de semana, mas que tinha controle, pois há mais de 12 anos estava nessa. Caramba, se ele tem controle, por que não conseguiu parar em todos esses anos? Ele ficou sem resposta.

Uma outra mulher não deixa a filha usar sequer saia curta, mas ela, depois que todos dormem, vai andar no calçadão para fumar um “baseado”. Essa incoerência não funciona, pois os filhos aprendem mais com as ações do que com as palavras.

Realmente, não sei como entrar na mente desses “macacos velhos” para fazê-los entender que precisam de ajuda especializada. Quem acredita que vive bem, mesmo usando droga, não sabe o que é viver bem. Os mais jovens são controlados pelos seus pais. E os pais, quem controla? A coisa é tão absurda que alguns colocam o dinheiro do pó nas contas do mês. É como se a droga comesse na mesa junto com a família.

Não vivemos em uma sociedade capaz de discutir discriminalização ou legalização do comércio e uso de drogas. Fica essa hipocrisia que uns fingem não usar e outros fingem acreditar no que é dito. Pais viciados são fruto da incapacidade das gerações passadas em lidar com o problema. Nunca acreditei que os governantes e as leis são os responsáveis, pois a justiça só precisa bater martelo quando a consciência falha.

Cada um sabe o que faz da sua vida e deve estar ciente dos riscos. Mas acredito que, quando os atos de um pai colocamm em risco a vida do filho é hora de cair em si e pensar se essa viagem vale tanto assim.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Sobre o mercado de trabalho

Por Rodrigo Ramos
Colaborador

Recentemente me formei Bacharel em Direito, antigamente isso seria orgulho de qualquer família externado com a clássica frase: “meu filho é Doutor!” Hoje a realidade é bem diferente, você termina seus estudos e diferentemente dos outros cursos, não sai habilitado para exercer a profissão. Existe o temido Exame da Ordem dos Advogados do Brasil, o qual tem índice de reprovação altíssimo. Mesmo passando na prova, o então novo advogado será apenas mais um dos mais de 80 mil aqui no Rio Grande do Sul. Por ironias do destino tenho o chamado registro precário de Jornalista, mesmo que tenha passado apenas um semestre na Faculdade de Comunicação Social, essa possibilidade surgiu para mim graças a uma liminar na justiça aliado aos meus anos de exercício da profissão como repórter de uma rádio. Aumentando a ironia, foram os doutos Ministros do STF que poucos anos atrás terminaram com a exigência do diploma de Jornalista.

Saindo do pessoal e entrando no social, tenho visto muitas matérias que propagam um grande número de empregos ditos atrativos que não são preenchidos pela falta de profissionais qualificados. A proximidade da Copa do Mundo e das Olimpíadas que, irão ser realizadas em nosso país, só aumentam os predicados que deve ter um trabalhador. Ouço falar que um garçom deve ter além de conhecimentos em inglês e espanhol, noções de italiano ou alemão. Acho difícil que esse profissional receba o suficiente para pagar cursos para todos esses idiomas. Algumas das vagas citadas nas matérias como boas são para operador de telemarketing e para conduzir maquinário industrial, arrisco dizer que essas carreiras não são as mais cobiçadas na atual sociedade.

Medidas tomadas durante o período de comando do Presidente Lula inegavelmente aumentaram o acesso de pessoas com menor poder aquisitivo em faculdades e, por conseguinte, também fizeram crescer a vontade das pessoas em cursar o ensino superior. As ideias expostas pelo candidato José Serra, o qual queria fazer o “PROUNI do ensino técnico” davam mostras de que a política do PSDB visava diminuir o alcance aos cursos de graduação. Uma coisa é inerente a quem conclui o ensino superior, querer atuar em sua área de formação e aí voltamos ao início da conversa que dá um exemplo sobre o mercado para os estudantes de Direito. Não há espaço na maioria dos setores para absorver todos que saem das instituições de ensino superior, o que acaba por gerar uma frustração. Alguns tentam montar seus próprios negócios e outros depois de certo tempo de prostração, começam a procurar por qualquer tipo de ocupação.

Em linhas gerais, a ambição criada com o maior acesso ao ensino superior não é suprida pelo mercado de trabalho e as pessoas penam para aceitar isso e se resignar em tentar sucesso em um emprego menos atraente ou com um status, em tese, inferior. Por vezes, parece que temos um abismo entre pessoas qualificadas sem emprego e aquelas com pouca instrução, a qual não lhes permite alcançar as mais básicas funções. Não parece haver uma camada média entre esses dois pólos. É claro que a qualificação é sempre benéfica, nem que seja pelo puro aproveitamento intelectual. No entanto, é necessário haver uma conscientização de que no sistema em que vivemos é impossível o sol brilhar para todos.